Análise do conto: “O percurso desventuroso do menino que cumpria a missão de Paraná”

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Análise: O conto “O percurso desventuroso do menino que cumpria a missão de Paraná” narra a história de um menino que segue uma ordem dada pelo seu amigo Paraná, enfrentando diversas dificuldades pelas ruas de São Paulo. Nesta aula, vamos analisar o texto e responder algumas questões propostas sobre a história.

A ordem de Paraná: Com base na leitura do trecho, formule hipóteses que expliquem a especificidade da ordem de Paraná. Quais são os indícios que levam você a essa interpretação?

A especificidade da ordem de Paraná pode ser explicada pela necessidade de realizar uma tarefa clandestina, sem que ninguém perceba. Isso é indicado pelo trecho “tinha que ser rápido e ninguém podia ver”. Além disso, o fato de Paraná ter escolhido o menino para realizar a tarefa pode indicar uma relação de confiança e cumplicidade entre os dois personagens.

O uso do diminutivo: O substantivo “embrulho” está no diminutivo. O uso dessa flexão sugere que o objeto é pequeno e pode ser facilmente escondido ou carregado pelo menino. Também pode indicar uma sensação de carinho ou proteção em relação ao objeto.

Problemas sociais: Esse pedido de Paraná para o menino acaba por revelar alguns problemas sociais que persistem nos meios urbanos, como a necessidade de realizar atividades clandestinas para sobreviver e a exploração de crianças para a realização dessas atividades.

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O erro do menino: No primeiro parágrafo, o menino pensa em pegar um ônibus, mas rapidamente desiste da ideia “como se estivesse fazendo uma coisa errada”. Esse erro pode ser interpretado como o medo de ser pego pela polícia ou de não ter dinheiro suficiente para pagar a passagem.

Paraná, um personagem ambíguo

Preocupação de Paraná: No texto, há indicações de que Paraná se preocupa com o menino, como quando ele pede para que o menino tome cuidado ao atravessar a rua e quando se certifica de que o menino entendeu a missão.

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Proteção x riscos: No entanto, há também indicações de que essa proteção pode ocultar interesses que expõem o menino a riscos, como quando Paraná pede para que o menino realize uma tarefa clandestina ou quando ele afirma que “está sempre vendo e ouvindo coisas”. Isso pode indicar que Paraná está envolvido em atividades ilegais e utiliza o menino como cúmplice.

A cidade desoladora

Aspectos da cidade: No conto, a cidade é descrita como desoladora aos olhos de uma criança de 10 anos, com ruas escuras e mal iluminadas, becos sujos e pessoas estranhas. Esses aspectos intensificam o conflito vivenciado pelo menino, que se sente ameaçado e vulnerável em um ambiente hostil e desconhecido. A ausência de infraestrutura básica, como iluminação pública adequada, a falta de limpeza e a presença de pessoas mal-intencionadas são fatores que contribuem para a sensação de medo e insegurança.

Sentimento de opressão e medo: Apesar de não apresentar problemas urbanos de infraestrutura tão urgentes, o trajeto percorrido pelo menino causa nele um sentimento de opressão e medo. Isso ocorre porque a realidade social e econômica em que ele está inserido cria barreiras e limitações que afetam sua percepção de segurança e bem-estar. O medo do desconhecido e a sensação de não pertencer a esse ambiente se misturam à percepção de exclusão social e à falta de perspectivas de futuro.

Fronteiras sociais: O conto mostra como a cidade pode ter fronteiras sociais claras que separam os habitantes da cidade. Os personagens descritos no conto, como os moradores de rua, os guardas noturnos e os frequentadores do bar, são vistos como pertencentes a diferentes estratos sociais. Essa segregação social é evidenciada pela diferença de tratamento que o menino recebe de cada um deles e pela maneira como é excluído de alguns espaços. Essas fronteiras se tornam ainda mais evidentes quando o menino percebe que não há lugar para ele no abrigo que Paraná indicou.

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Em suma, o conto apresenta uma visão crítica da cidade como um espaço desigual e segregado, em que as fronteiras sociais se tornam cada vez mais claras e acentuadas. A descrição do cenário urbano e dos personagens que o habitam permite ao leitor uma reflexão sobre a violência e a exclusão que marcam as grandes metrópoles. É preciso que a leitura desse conto nos leve a refletir sobre a necessidade de políticas públicas efetivas que possam atender às demandas dessas crianças e jovens em situação de vulnerabilidade social, para que seja possível construir uma cidade mais justa e igualitária para todos os seus habitantes.

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